Metodologia
Tendo como tema a situação de risco provocada pelas enchentes do Rio Acari, buscamos: produção de conhecimento, promoção de conscientização e resoluções de problemas locais. Estes três aspectos, lembra Thiollent (1985), são atingidos pela pesquisa-ação. Tal tendência é englobada por nossa opção metodológica, a participativa.
A pesquisa-ação tem como princípios: “(1) proposta política de transformação democrática da realidade; (2) a construção de relação sujeito-sujeito; (3) a realidade como movimento histórico; (4) a crítica aos modelos tradicionais de pesquisa.” (LOUREIRO, 2003, p. 33)
Por ser esta uma pesquisa referente à Educação Ambiental, pesquisamos não apenas para conhecer o que não se conhece, mas também para educar e se educar, tal como afirma Paulo Freire “Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino (...) Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.” (Freire, 1996, p. 32) . Acreditamos que durante a elaboração e execução desta pesquisa os sujeitos envolvidos estarão diante de possibilidades para a sua própria produção de conhecimentos, visto que “(...) as ações investigativas envolvem produção e circulação de informações, elucidação e tomada de decisões, e outros aspectos supondo a capacidade de aprendizagem dos participantes.” (Thiollent, 1996, p. 66)
Thiollent cita a promoção da conscientização no início deste capítulo, como um dos aspectos a serem atingidos pela pesquisa-ação, contudo acrescentamos à essa afirmação uma ressalva. Preferimos a expressão “promoção da reflexão crítica”, tal como afirma Paulo Freire “(...) na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática.” (Freire, 1996, p. 44).
A reflexão crítica da prática possibilita, tanto a professores quanto a pesquisadores e demais sujeitos envolvidos em uma pesquisa, reorientar suas práticas. Sendo assim, acreditamos que sem um trabalho de reflexão sobre as questões ambientais e as relações existentes entre si, o enfrentamento de uma crise socioambiental fica prejudicado.
O fato de já fazer parte do corpo docente da escola pesquisada, pode trazer algumas dificuldades quanto ao processo de descoberta e análise do que é familiar, pois “posso estar acostumado com uma certa paisagem social, (...) no entanto, isto não significa que eu compreenda a lógica de suas relações. O meu conhecimento pode estar seriamente comprometido pela rotina, hábitos, estereótipos.” (Velho, 1978, p. 41)
Contudo, com os métodos de pesquisa qualitativos, o contato direto e pessoal durante um período razoavelmente longo se faz necessário “para conhecer certas áreas ou dimensões de uma sociedade, pois existem aspectos de uma cultura e de uma sociedade (...) que exigem um esforço maior, mais detalhado e aprofundado de observação e empatia.” (Velho, 1978, p. 37)
Por isso, o fato de já fazer parte do corpo docente da escola pesquisada, contribui na elaboração do diagnóstico participativo, portanto, na exeqüibilidade do trabalho e na aceitação do pesquisador por parte da comunidade escolar. O roteiro do diagnóstico participativo tem como indicação quatro eixos que orientam o trabalho: Eixo 1 – Envolvimento comunidade/escola; Eixo 2 – Análise do cenário em que se insere a escola; Eixo 3 – Formulação da visão de futuro e da missão dos sujeitos; e Eixo 4 – Elementos para um plano de ação. (Loureiro, 2003)Antes de se iniciar um processo educativo se faz necessário realizar um diagnóstico inicial com a finalidade de conhecer alguns aspectos relevantes a serem abordados neste processo. Os dados coletados no diagnóstico são fundamentais tanto para estudar uma determinada realidade socioambiental como para a análise final do processo, ou seja, para comparar dados e verificar se houve transformações em tal realidade.
Levantamento bibliográfico
No levantamento bibliográfico, buscamos encontrar respostas aos problemas formulados, tendo como recurso a consulta dos documentos bibliográficos. Entendemos por documentos como “(...) toda base de conhecimento fixados materialmente e suscetível de ser utilizado para consulta, estudo ou prova.” (Cervo, 1983, p. 79)
Mapeamento do Campo
O mapeamento do campo, em uma pesquisa qualitativa como a pesquisa-ação, possibilita realizar um estudo preliminar da região pesquisada e da comunidade escolar participante. Esta fase da pesquisa, inclui três partes: “a) identificação da estrutura social da população; b) descoberta do universo vivido pela população; e c) recenseamento dos dados sócio-econômicos e tecnológicos.” (Gil, 1991, p. 133)
Coleta de dados qualitativa
Temos clareza de que a coleta de dados qualitativos não é um processo acumulativo e linear, por isso os dados colhidos em diversas etapas serão constantemente analisados e avaliados. Por se tratar de uma pesquisa-ação, a população é de pequena dimensão, por isso dispensamos o uso de questionários convencionais aplicáveis em maior escala. Desta forma obteremos informações principalmente de modo coletivo com a população estruturada em grupos compostos por sujeitos que possam fornecer informações necessárias para o andamento da pesquisa. Nesta pesquisa tais informações serão “(...) analisadas e discutidas em reuniões e seminários com a participação de pessoas representativas.” (Thiollent, 1996, p. 65)
Análise crítica dos problemas
A análise crítica dos problemas tem como objetivo “(...) promover nos grupos de estudo um conhecimento mais objetivo do problema. Procura ir além das representações cotidianas desse problema.” (Gil, 1991, p. 134)
Elaboração do Plano de Ação
A presente pesquisa não se encerra com a elaboração de um relatório, mas com um plano de ação o que envolve: ações que possibilitem a análise mais adequada ao problema estudado e ações que possibilitem a melhoria da situação em nível local. Estas ações serão discutidas e analisadas junto ao sujeitos envolvidos.
Sindicação
Este artigo ainda não tem Comentário ...