A enchente do Rio Acari é o ponto de partida, ou melhor, o tema gerador que a presente pesquisa almeja desenvolver. Contudo não consideramos este problema local de forma simplista, ou seja, sabemos que o mesmo faz parte de uma complexa realidade socioambiental.
Ao longo desta pesquisa, enfatizaremos a abordagem relacional a qual visa fundamentar as ações pedagógicas baseando-se na construção de um conhecimento integrado do mundo, considerando “a complexa rede de conexões existentes entre seus componentes físico-químico, biológico, socioeconômico, histórico e cultural” (Moraes apud Guimarães, 2006:13). Isso se contrapõe automaticamente à abordagem reducionista, a qual “simplifica e reduz a compreensão do movimento constituinte do real” (Guimarães, 2006, p.13). Essa redução e simplificação do real não nos permite compreender a problemática ambiental e sua complexidade a partir de um referencial crítico.
Não temos como meta de EA apenas conhecer e analisar um problema socioambiental, ainda que esta análise seja de extrema importância, pois acreditamos que conhecer para preservar não é suficiente. Desejamos ir além do ensino de ecologia, sua compreensão e mudança de comportamento individual. Queremos iniciar a construção de um movimento coletivo cuja EA esteja comprometida não apenas com a formação, mas que torne as ações coletivas conscientes, assumindo a dimensão política com sinergia tornando-se “(...) um movimento articulado, com identidade e intencionalidade que se estabelece nas relações” (Guimarães, 2006, p.15).
Talvez seja a limitação da compreensão de mundo baseada em referenciais simplistas e reducionistas o que torna a EA incapaz de intervir de forma diferenciada acabando por promover práticas ingênuas e conservadoras que pouco transformam realidades socioambientais.
Esta pesquisa não se limita às análises e às críticas das iniciativas em EA no equacionamento da enchente do Rio Acari, mas se propõe a buscar estratégias de superação dos limites detectados. Buscamos, junto à comunidade envolvida, construir uma EA que seja transformadora, partindo do princípio de que já existem tais iniciativas, mas que ainda assim o problema persiste. Então o nosso questionamento é: quais as possibilidades da realização de uma EA que seja realmente crítica e emancipatória?
É prudente levarmos em conta que estaremos começando, com esta comunidade escolar uma EA com um novo enfoque, pois até então o que se tem feito na escola, fazendo um recorte temporal entre 2000 e 2007, são:
- atividades com garrafas PET, por iniciativa de seu Coordenador Pedagógico, nas quais alguns alunos participam de oficinas de objetos feitos com as garrafas;
- parceria, em junho de 2006, com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente realizando algumas atividades voltadas para o incentivo de “reciclagem”, tendo como culminância a exposição de objetos “reciclados” levados pelos alunos;
- parceria, no primeiro semestre de 2007, com um grupo de professores e alunos de Serviço Social da PUC/RJ através do projeto “Jornadas Ecológicas” o qual realizou aulas-passeio com os alunos no campus da referida universidade;
- proposta de projeto pedagógico mensal, em 2007, sugerido pela 6ª E/CRE, com o objetivo de abordar o tema “meio ambiente” com os alunos;
Estas iniciativas não proporcionam continuidade e não envolvem um número significativo de alunos e nem de representantes de todos os setores da comunidade escolar como secretárias, merendeiras, responsáveis, etc.
Com base nisso, é necessário além de detectar as falhas e os limites tanto em iniciativas já desenvolvidas, quanto nos referenciais teóricos analisados, aprender com os mesmos, pois acreditamos que este é um dos caminhos para a realização da EA.
Ao estudar alguns referenciais teóricos sobre a EA na promoção da transformação de uma realidade socioambiental, selecionamos três trabalhos sobre o desenvolvimento da EA, os quais são orientados pelas premissas participativas e pedagógicas defendidas ao longo desse texto. Com esta análise será possível iniciar uma aproximação entre teoria e prática.
O primeiro trabalho trata de uma pesquisa desenvolvida por Taciana Neto Leme no qual a autora procura “(...) compreender e aprender com as iniciativas desenvolvidas pelos professores que fazem EA” (Leme, 2006, p.88). Esse trabalho tem como título “Conhecimentos práticos dos professores e sua formação continuada: um caminho para a Educação Ambiental na escola”. O segundo trabalho trata de uma proposta de capacitação em EA, a qual deriva da experiência construtivista de Alexandre de Gusmão Pedrini e Joel Campos de De-Paula (1997), que se intitula “Educação Ambiental: críticas e propostas”. O terceiro traz a publicação de um livro com conceitos definidos e reconstruídos que servem de suporte à promoção da gestão participativa através da EA, organizado por Carlos Frederico Bernardo Loureiro, Marcus Azaziel e Nahyda Franca (2003) cujo título é “Educação Ambiental e gestão participativa em Unidades de Conservação”.
Há muitos saberes construídos nas práticas educativas que se perdem por falta de rigor metodológico e/ou por não terem sido registrados. Daí a importância da aproximação entre prática e teoria, afinal há uma riqueza de saberes existentes nos processos educativos escolares que podem contribuir significativamente para a construção de novas ações educativas.
Sindicação
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